Mar sentimental
(original de poesia inédito)
(unpublished book of poetry)
Para que serve o tempo?
Para que serve o tempo?
Para que serve o compasso do tempo?
Para que serve este deslocamento invisível do universo?
Para que serve este sentido que nunca retrocede?
Eu escrevo isto, agora,
Sentido em tudo isto passado
O presente escapa-me sempre.
Nunca posso dizer que agora é presente,
Porque à medida que o digo torna-se sempre passado.
O futuro serve para tornar o passado possível.
O presente é a ponte invisível.
Hoje, cada segundo, cada ironia do tempo,
Cansa-me a psicologia da vida.
Guardo em mim sensações
Vi uma floresta
Que me mostrou a densidade da vida.
Vi estrelas como se fossem aves.
Vi o céu como se fosse oceano.
Vi a montanha como se fosse torre de sentinela.
Vi um rio aventureiro que corria livre.
Senti o silêncio como a sentença das pedras.
Senti o amor como o perfume das rosas.
Senti a noite como alguém que se despede.
Sou o espectador
Que procura ver mais do que assiste,
Sentir mais do que é mostrado...
[Já não há paixão]
Já não há paixão,
Já não há ilusão,
Já não há ritmos
Que saem de mim.
Só há tristeza,
Dor forte no peito.
Onde estás musa?
Onde está o instinto que puseste em mim?
Onde está a alegria com que me fulminavas?
Mas não, musa: Não morrerás em mim.
Buscar-te-ei nas sombras que criei em mim.
