Paisagens escritas

(original de poesia inédito)

(unpublished book of poetry)

 


Um esboço sobre o interior
 
Medito sobre os fios do sol que escorrem do céu
Em cascatas transparentes.
Iluminam.
E o seu brilho e o seu mistério
Adensam a vida.
 
Depois solto uma pomba, como num ritual,
E sorrio para realidade prática,   
Construção conjunta da alegria e da dor.
É como se dentro mim se criasse 
Uma espécie de Carnaval;
Por isso festejo a beleza, a verdade, a liberdade - 
- Este never end da imaginação.
 
Muito do que há no interior nós,
É mistério e ritos de imaginação;
Arte criadora e artística,
Onírica consciente e inconsciente,
Construtora da ciência,
Fogo do amor.
 
 
Haverá?
 
Haverá um lugar,
Onde eu não serei eu mas outra pessoa?
 
Onde o carnaval é sem máscaras?
 
Onde a música não se escreve em pautas
E não há aulas de latim?
 
Onde cada gesto é um movimento que se pinta,
Onde o beijo toca o infinito
E a luz fabrica cordas que desamarram?
 
Haverá?
 
 
Porque há palavras
 
Porque há palavras 
Que ocupam espaço na alma.
 
Porque os seus sentidos
Pesam nas prateleiras,
Onde as depositam.
 
Porque há espaços na alma
Totalmente preenchidos;
E há outros que agoniam vazios...
 
Porque ninguém consegue
Pesar os sentimentos,
E eles pesam na alma.
 
Por cada palavra que incomoda,
Por cada palavra que estilhaça,
A alma fica mais pesada.
 
Mas, por cada palavra terna e doce,
A alma torna-se ave,
E na leveza desse instante, voa.